Sobre a Identidade Visual

GUIMARÃES ROSA E A POÉTICA DO LUGAR

Daniella Guimarães de Araújo


A identidade visual do 8º SIMBRAVISA traz uma homenagem ao escritor, médico e diplomata Guimarães Rosa, retratando o mapa da região de Minas Gerais na qual nasceu e viveu e que tornou universalmente conhecida por meio de sua literatura.
 
O território ilustrado pela artista plástica Mariana Zani mostra as cidades de Cordisburgo, Morro da Garça e Três Marias, além dos rios São Francisco e Rio das Velhas, lugar onde ocorreu grande parte dos contos, novelas e do romance escrito por ele.

A geografia em sua expressão ampliada era uma das paixões de Guimarães Rosa. Por meio dela conheceu territórios, cidadãos e a poesia dos lugares amados. A experiência ali vivida tornou universal sua escrita. Tornou universal a persistência e a resistência do sertanejo e seu amor ao ambiente.

Por meio da geografia e da percepção estética dos habitantes daqueles territórios, sua obra é capaz de alertar e dar esperanças.

Sem o conhecimento geográfico, Guimarães Rosa dizia que “falta saber da grande vida, evolvente, do conjunto. Escapa-lhe a majestosa magia dos movimentos milenários: o alargamento progressivo dos vales, e a suavização dos relêvos; o rejuvenescimento dos rios, que se aprofundam; na quadra das cheias, o enganoso fluir dos falsos braços, que são abandonados meândros; a rapina voraz e fatal dos rios que capturam outros rios, de outras bacias; o minucioso registro dos ciclos de erosão, gravado nas escarpas; as estradas dos ventos, pelos vales, se esgueirando nas gargantas das serranias; os pseudópodos da caàtinga, invadindo, pouco a pouco, os «campos gerais», onde se destrói o arenito e onde vão morrendo, silentes, os buritís; e tudo o mais, enfim, que representa, numa câmera lentíssima, o estremunhar da paisagem, pelos séculos”.
 
Minas Gerais é um estado vasto, montanhoso, pleno de rios, riachos, vales e serras que abrigam 853 municípios, onde seus habitantes conhecem a herança dos sertanejos, a coragem dos inconfidentes e também a dor da mineração.

A representação das 3 pequenas cidades no mapa remete ao território vivo dos 853 municípios mineiros, suas forças e limites para construir vida e saúde, preservar os rios, sustentar a economia, crescer e resistir. 

Remete à cartografia das sensibilidades, ao registro da alma de homens e mulheres do sertão, na qual se inclui a luta dos pequenos, dos que vivem à margem, dos destituídos de dignidade, dos "vetores de baixo” denominados por Milton Santos.

Assim, o território na literatura de Guimarães Rosa é a vida. Vigor e escassez. Liberdade e miséria. Aridez e vereda. Tudo está no território: caminhos e descaminhos.  

Além do pragmatismo de sua utilidade, o mapa possibilita a construção de sentidos que não estão dispostos de maneira óbvia e que se abrem também como reflexo de sua literatura inventiva e extraordinária: o físico e o metafísico; o bem e o mal; a saúde e a doença. A regulação e a vida como ela é: desordenada, humana, pós-humana.

O ouro das MINAS mas também o desafiante e imenso sertão dos GERAIS.

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